Enquanto procura um apartamento em Paris, uma bela jovem parisiense conhece um americano, cuja esposa recentemente se matou. Instantaneamente iniciam um tórrido caso sexual, sem nem sequer saberem os seus nomes e combinando não revelar nada das suas vidas e manter a relação estritamente sexual. Mas os acontecimentos vão fugir ao controlo de ambos.
Tempo de execução: 129 minutos
Data de lançamento 30/04/1974
TrueOrçamento: $1,250,000.00
Receita: $36,144,000.00
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Gêneros:
**O lado mais feio da sexualidade.** Este filme, basicamente e de forma simples, gira em torno de um homem e uma mulher que, embora permaneçam anónimos, mantêm encontros sexuais que acabam por se desenvolvendo dramaticamente até ao ponto de ruptura. Ele é viúvo e sofre com isso, ela está noiva mas tem dúvidas que se tornam mais intensas à medida que o envolvimento deles aumenta. Ele parece amá-la e desprezá-la ao mesmo tempo. Ela submete-se, aceita ser tratada como um objecto, mas isso torna-se cada vez mais insuficiente. A cena antológica de violação anal pode ser, para muitos, o momento mais chocante e repugnante do filme, que aborda assuntos quase tabu para a época, como a crise da meia-idade, a dor da viuvez, os tabus sexuais, os traumas psicológicos, a traição conjugal, o abuso sexual e outros. Os dois actores principais foram Marlon Brando e Maria Schneider, e ambos alcançaram o estrelato e fizeram aqui (principalmente ela) uma de suas obras cinematográficas mais aclamadas. No entanto, nunca pareceram muito gratos a Bernardo Bertolucci, o director, pois também foram fortemente estigmatizados pela controvérsia em torno do filme. Nalgumas versões dos acontecimentos, chegaram até a lamentar fazer o filme. Pessoalmente, eu entendo os sentimentos dos actores, eu teria recusado o trabalho, mas sou o primeiro a considerar que foi um acto de coragem, loucura e talento aceitar tais papéis. Apesar da controvérsia e falta de escrúpulos do director para com o seu elenco, há aqui laivos de genialidade: a cinematografia é linda e encaixa-se perfeitamente no ambiente, que oscila entre o sedutor, o proibido e o ameaçador. O erotismo e a violência psicológica unem-se muito fortemente, em cenas que são, ao mesmo tempo, provocantes, perturbadoras e feias. O sexo não é apenas um acto íntimo entre duas pessoas mas um acto de domínio de um indivíduo sobre o outro, um refúgio psicológico e uma esperança de algo mais, que nunca chega. Para mim, este filme é paradoxal. Foi lindamente filmado e feito mas aborda temas difíceis de digerir e que não são para todos, na minha opinião. Bernardo Bertolucci é um dos directores que menos aprecio. Reconheço-lhe a sua genialidade e brilhantismo técnico, mas também a dureza dos temas que prefere e a crueza com que trata os outros profissionais, particularmente os actores. De facto, boa parte do cinema italiano tem esse problema: é duro, é perturbador, gosta de mostrar a realidade mais dura e nas cores mais fortes, de mostrar coisas feias que nos repugnam. Este filme é um filme que eu não gosto, mas é poderoso e é impossível ficar-lhe indiferente.