O filme conta a história da Batalha de Iwo Jima, entre os soldados japoneses e o exército norte-americano, na Segunda Guerra Mundial. A narrativa desenvolve-se a partir do ponto de vista dos soldados japoneses.
Tempo de execução: 141 minutos
Data de lançamento 15/02/2007
TrueOrçamento: $19,000,000.00
Receita: $68,673,228.00
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**A história na perspectiva dos perdedores.** Este filme recria a Batalha de Iwo Jima, na perspectiva dos soldados japoneses. Dirigido por Clint Eastwood, o filme tem roteiro de Iris Yamashita e a participação de Ken Watanabe, Tsuyoshi Ihara e Kazunari Ninomiya. Este filme veio no seguimento de um outro, "As Bandeiras dos Nossos Pais", mas não é só mais um filme de guerra da Segunda Guerra Mundial. Este filme mostra a crueza da guerra, especialmente nos seus aspectos psicológicos e humanos. Procura mostrar que na guerra não há vencedores ou vencidos porque todos perdem, não há bons ou maus mas sobreviventes. O Japão, durante este período histórico, teve uma mentalidade centrada no patriotismo, na honra e no culto à vitória. Para eles, perder e morrer era menos desonroso do que render-se, num código militarista muito semelhante ao que adoptaram os espartanos milhares de anos antes. Outro ponto abordado pelo filme, embora de forma mais subtil, é a propaganda de guerra: na óptica dos japoneses, o inimigo foi demonizado para instigar os soldados a lutar até ao fim, seguindo os preceitos dessa filosofia militarista e de honra. Os actores revelaram-se à altura do desafio, dando vida a um leque de personagens muito complexas. O mais famoso actor deste filme, pelo menos para nós, ocidentais, será certamente Ken Watanabe, actor nipónico já com escola em Hollywood e que deu vida ao general Kuribayashi, figura que bem pode representar as contradições da guerra: após estudar e viver nos Estados Unidos, antes da guerra, vê-se agora a lutar contra os americanos e a aproveitar o seu conhecimento sobre as tácticas militares americanas para antecipar os seus movimentos. Todos os actores de origem japonesa falam na sua língua materna, o que pode representar um pequeno problema para a comercialização e popularidade do filme mas soa bem, enquadra-se no filme de uma forma altamente positiva. A fotografia, pesada e cinzenta, encaixa bem num filme como este e há cenas em que contribui muito para a sua beleza. Os trajes e armas são historicamente precisos e os efeitos visuais, de som e especiais têm enorme qualidade. A banda sonora, que foi escrita por Kyle Eastwood e Michael Stevens, é muito interessante, especialmente o tema principal, com um toque ligeiramente oriental, como um gemido melancólico. Normalmente não gosto muito dos filmes de Eastwood, mas devo dizer que fiquei impressionado com este. Merece ser visto por todos os que gostam de um bom filme de guerra, acção ou baseado em factos históricos. O rigor histórico foi aparentemente levado a sério (pelo menos até onde eu fui capaz de averiguar). Se é verdade que todos aqueles que não recordam a História estão condenados a repeti-la, esse filme pode ajudar a que isto nunca mais aconteça.